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A Caminhar e você
Em apenas três anos de fundação, a Caminhar
nunca esteve tão próxima de você.
Nossa equipe tem trabalhado com afinco para que cada vez mais
pessoas possam conhecê-la e, também , usufruir
de seus serviços.
Não poderia deixar de apontar o grande sucesso que foi
a nossa II Jornada Caminhar, realizada nos dias 06 e 07/04/2000,
no Teatro Municipal, onde contamos novamente com a colaboração
do MAGAZINE LUIZA e da GRÁFICA TUPY.
Enalteceram nossa Jornada grandes nomes, tais como o da Dra.
Maria Valeriana Leme De Moura Ribeiro, Neurologista Infantil
da UNICAMP, que nos emprestou seus conhecimentos sobre a paralisia
cerebral; Stella Silva Querido, fonoaudióloga pela PUC/CAMPINAS,
pós-graduada em Patologia da Comunicação
pela USC e especializada em Paralisia Cerebral pela UNESP/ARARAQUARA,
e Suely Harumi Satow, Dra. em Psicologia Social pela PUC/SP
e autora do livro "Paralisado Cerebral: construção
da identidade na exclusão", Conselheira Consultiva
do DEFNET e membro fundadora do CEDIPOD, e portadora de paralisia
cerebral tipo atetóide. Estas duas últimas falaram
sobre a inserção do computador na vida do paralisado
cerebral.
No segundo dia deste ciclo de palestras, compôs-se uma
mesa redonda com os portadores de deficiência Moacir Silveira,
Suely Harumi Satow, Fernando Osório da Silva, e José
Donizete Avelar, que nos contaram um pouquinho de sua história
de vida e nos brindaram com sua emotividade, bom humor e crítica
real e séria ao preconceito e dificuldades sociais por
eles enfrentadas.
Outro ponto chave foi o pronunciamento do Exmo. Sr. Cassiano
Pimentel, vice prefeito de Franca, que prestou grande contribuição
ao decorrer sobre a importância do terceiro setor na sociedade
brasileira de hoje.
Momentos, também, de extremo prazer, ocorreram na apresentação
do coral da Universidade de Franca, regido por Fátima
Calixto e na apresentação de ballet, realizada
pelas alunas do Studio Gisella de Dança.
Foi maravilhoso e gratificante ver o Teatro Municipal lotado.
Através desta Jornada, mais e mais pessoas estão
conhecendo nossa associação e a paralisia cerebral,
assim como estão estreitando o contato com o mundo real
de seus portadores.
Nosso site na Internet também tem feito sucesso, pois
já recebemos vários
E mails e, inclusive, estamos publicando um depoimento - História
de Vida - recebido pelo correio eletrônico.
Quanta satisfação! Nosso jornal já passa
a ser construído por mais pessoas, diferentes daquelas
que atuam diretamente na Caminhar. E existe um espaço
aberto para muito mais pessoas, inclusive, você.
Venha caminhar conosco!
Valéria Vanini
Psicóloga
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| Apesar
do nome Paralisia Cerebral o que o indivíduo tem menos
paralisado é o cérebro e a incapacidade para não
falar não significa que ele não tem nada a dizer,
ele poderá ter muito a nos contar. |
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Paralisia
Cerebral (PC) é um termo usado para descrever um grupo
de disfunções que afetam os movimentos e a coordenação
motora. A definição médica de PC é
uma desordem de movimentos e/ou postural não progressiva,
causada por um acidente ou anomalia do cérebro em desenvolvimento.
Ela também não é hereditária e
não é contagiosa.
O desenvolvimento cerebral de uma criança inicia-se
no útero da mãe e continua até por volta
de 3 anos de idade. O dano cerebral que ocorre nesse tempo
pode resultar em paralisia cerebral. Este prejuízo
interfere nas mensagens do cérebro ao corpo e do corpo
ao cérebro.
Os efeitos da paralisia cerebral variam muito de pessoa para
pessoa. Na sua forma mais leve a paralisia cerebral pode resultar
em movimentos desajeitados ou em controle deficiente dos braços
e mãos. Na sua forma mais severa, a paralisia cerebral
pode resultar em falta de vigor no controle muscular afetando
em alguns casos os movimentos da fala.
Dependendo de quais áreas do cérebro foram afetadas,
um ou mais destes casos podem ocorrer rigidez ou espasmo muscular
- movimentos involuntários, com muita ou pouca dificuldade
para andar ou correr, dificuldade ou debilidade com a habilidade
para escrever e falar, e muitas vezes com percepções
e sensações alterados.
O dano cerebral que causou a paralisia cerebral pode também
ser acompanhado de outras decorrências: convulsão
e déficit intelectual. É importante lembrar
que, apenas algumas pessoas com paralisia cerebral não
conseguem articular bem a fala, outras vezes nem a conseguem,
mas não significa que elas não terão
nada para contar. O grau de deficiência ou debilidade
física da pessoa com paralisia cerebral não
tem nada a ver com o grau de sua capacidade intelectual.
A paralisia cerebral não é uma disfunção
progressiva - o dano cerebral acontece uma vez, e portanto
não piora. E a pessoa portadora tem uma expectativa
natural de vida. Por outro lado esta disfunção
não esta sendo progressiva, os seus efeitos poderão
mudar com o tempo. Alguns poderão ser minimizados e
outros poderão reforçar o padrão da paralisia
cerebral. Afinal tudo é uma questão de oferecer
menos ou mais oportunidades.
Elisabeth da Silva Félix
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SANTA CASA DE FRANCA E A
PARALISIA CEREBRAL
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A
maternidade da Santa Casa de Franca
é a única instituição
que atende o paciente do SUS (Sistema
Único de Saúde) de Franca
e Região. Acontecem, em média,
350 partos/mês.
A maternidade conta com centro obstétrico
(4 salas), isolado e independente do
centro cirúrgico geral, onde
só acontecem partos e cesarianas.
O centro obstétrico comunica-se
internamente com a sala de pré
- parto (8 leitos), com o berçário
e CTI infantil, permitindo a circulação
de pacientes, recém-nascidos
e equipe de trabalho, de forma adequada
e sem riscos de contaminação.
Durante o dia, dois médicos ginecologistas
e obstetras fazem plantão permanente
e, à noite, um, que oferece pronto
atendimento e assistência imediata
a todos os casos que são encaminhados
das Unidades Básicas de Saúde,
pronto-socorro e cidades vizinhas e
ainda pacientes que procuram espontaneamente
a Santa Casa.
Todos os recém-nascidos são
recebidos e examinados pelo pediatra,
presente na sala de parto, ao nascimento.
Contamos com plantão permanente
do anestesiologista, para todos os casos
que exigirem anestesia.
A equipe de enfermagem é treinada
especificamente para lidar com a gestante
e puérpera, e o fazem com atendimento
diferenciado e humanizado.
Pratica-se o alojamento conjunto - o
recém-nascido permanece, sempre
que as condições da mãe
e filho permitirem, ao lado da mãe,
ficando disponível para mamar,
sendo examinado pelo pediatra ao lado
da mãe, com orientação,
sempre. Sua higiene e troca de fraldas
é feita pela enfermeira, também
ao seu lado, ensinando e permitindo
a sua prática ainda na maternidade.
Realiza-se um trabalho de estímulo
ao aleitamento materno, com enfermeira
especializada, reuniões em grupo
e orientação individual
.
Todos os recém-nascidos se submetem
ao exame para detectar "sífilis
congênita", e são
encaminhados para o "Teste do Pezinho".
Todas as mães são orientadas
para fazerem a consulta de Revisão
de Parto, em 40 dias, e se orientarem
quanto à métodos anticoncepcionais
e planejamento familiar.
Oferece-se à gestante e à
família o atendimento humanizado,
procurando amenizar a dor, esclarecer
dúvidas, reduzir a ansiedade
e o medo que envolvem o nascimento de
um filho, desfazer tabus e crendices,
ainda hoje tão freqüentes.
Por todas essas características,
a maternidade da Santa Casa de Franca
foi classificada com nível "B"
no Projeto "Maternidade Segura"
e, junto com ela, nesse nível,
somente oito (8) maternidades no Estado
de São Paulo, sendo três
(3) delas em Hospitais Universitários.
Reconhece-se ainda muitos pontos em
que pode-se melhorar mais, sempre visando
a melhor assistência, e a redução
dos índices de mortalidade e
morbidade maternos fetais e neonatais.
Dra. Ana Lúcia de Castro Rodrigues
Ginecologista Responsável pelos
Programas
de Saúde da Mulher e Membro da
Coordenadoria
Materno Infantil da Secretaria Municipal
de Saúde |
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Lei
n.º 7853 de 24 outubro de 1989
Decreto n.º 914/93
Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras
de deficiência, sua integração
social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração
de Pessoas Portadoras de Deficiência (CORDE),
institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos
ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação
do Ministério Público, define crimes
e dá outras providências."
... RESPONSABILIDADES DO PODER PÚBLICO
Artigo 2 - Ao Poder Público e seus órgãos
cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência
o pleno exercício de seus direitos básicos,
inclusive dos direitos à educação,
à saúde, ao trabalho, ao lazer, à
previdência social, ao amparo à infância
e à maternidade, e de outros que, decorrentes
da Constituição e das leis, propiciem
seu bem-estar pessoal, social e econômico.
Parágrafo único - Para o fim estabelecido
no "caput" deste artigo, os órgãos
e entidades da administração direta
e indireta devem dispensar, no âmbito de sua
competência e finalidade, aos assuntos objeto
desta Lei, tratamento prioritário e adequado,
tendente a viabilizar, sem prejuízo de outras,
as seguintes medidas:
I - Na área da Educação:
a) a inclusão, no sistema educacional, da
Educação Especial como modalidade
educativa que abranja a educação precoce,
a pré-escolar, as de 1º e 2º graus,
a supletiva, a habilitação e reabilitação
profissionais, com currículos, etapas e exigências
de diplomação próprios;
b) a inserção, no referido sistema
educacional, das escolas especiais, privadas e públicas;
c) a oferta obrigatória e gratuita, da Educação
Especial em estabelecimentos públicos de
ensino;
d) o oferecimento obrigatório de programas
de Educação Especial a nível
pré-escolar, em unidades hospitalares e congêneres
nas quais estejam internados, por prazo igual ou
superior a 1 (um) ano, educandos portadores de deficiência;
e) o acesso de alunos portadores de deficiência
aos benefícios conferidos aos demais educandos,
inclusive material escolar, merenda escolar, e bolsas
de estudo;
f) Matrícula compulsória em cursos
regulares de estabelecimentos públicos e
particulares de pessoas portadoras de deficiência
capazes de se integrar no sistema regular de ensino.
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Através
de nossa página na Internet, temos realizado contatos
muito interessantes.
Pessoas de diferentes parte do país nos enviam
e mails para oferecer ajuda, pedir orientações,
encaminhar protestos ou palavras de apoio.
E no meio de todo esse material recebemos um, particularmente
interessante, o qual segue abaixo, na íntegra: |
História
de vida
"Sou Amauri Nolasco Sanches Jr., tenho 24 anos e
tenho paralisia cerebral.
Sou filho de Itália Mollo Nolasco e Amauri Nolasco
Sanches e tenho dois irmãos Reinaldo e Andréa
Nolasco Sanches.
Tudo começou com meu nascimento. Por eu ser gordinho
faltou oxigênio, aí fiquei assim. Quando
tive dois ou um ano e meio, tive caxumba e uma febre de
quarenta graus, tive convulsão e diz minha mãe,
piorei. Até aos cinco anos de idade fiz tratamento
no SESI, mas mãe é uma coisa muito sagrada
e procurando outro local para meu tratamento encontrou
a A.A.C.D.
Fiz tratamento durante um ano, mas chegou minha idade
de escola e entrei na unidade Rodrigues Alves que ficava
na Av. Paulista; lá tive a educação
básica.
Além dessa educação básica
tive meu primeiro amor e muitos outros, mas na minha adolescência
foi uma experiência muito gratificante. Fiquei sete
anos lá, pois as professoras me repetiam para eu
ter um tratamento completo, nessa fiquei três, quatro
anos na quarta serie; isso foi entre 1983 e 1990.
Em 1991 fiquei parado sem nenhum local para ir, vendi
doces na garagem da minha casa, mas não deu muito
certo. Fiquei em casa parado somente vendo televisão
e ouvindo radio, uma amiga que ia à unidade da
Mooca me indicou-a; fiz a avaliação de comportamento
e trabalho então passei.
Entrei e estou até hoje, isso faz oito anos, nesse
tempo cresci interiormente. Amadureci, pois diante dos
sofrimentos de amores perdidos e injustiças feitas
a mim fiquei forte; encontrei minha real vocação,
no começo era literário, mas encontrei na
filosofia minha real estadia.
Estou escrevendo um livro existencialista chamado "Razão
do ser", onde abordo toda a humanidade e seus problemas.
Tenho uma família ótima, tenho uma linda
namorada e muitos companheiros de luta, pertenço
a uma fraternidade chamada FCD (fraternidade cristã
de doentes e deficientes), onde lutamos para a inclusão
do deficiente na sociedade. Ensinando e avaliando cada
um com o maior companheirismo, a direção
é completamente nossa, pois o coordenador e os
adjuntos são deficientes físicos.
Agora minha luta é pela minha namorada, pois sua
família não aceita muito nosso namoro.
Ela se chama Vera, minha companheira que me dá
força para minha carreira de escritor filosófico
deslanchar; mas a família esta usando a morte do
pai dela como desculpa para a gente não namorar,
no fundo eu não ligo, pois lutarei até o
fim para nós e nossas cadeiras de rodas ficarem
juntos.
Minha experiência é pouca, mas espero passar
algo para as pessoas que lêem essa modesta experiência."
Amauri Nolasco Sanches Jr. (sic) |
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